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O fim do júnior, o fim do smartphone — e as perguntas que ainda não sabemos responder

O que será das vagas iniciantes com a IA e para onde vai o mercado de wearables?

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03
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2026
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No primeiro episódio do Futurus Bits, debatemos duas das tendências mais provocativas do momento: o suposto fim das vagas júnior no mercado de tech e a aposta de Mark Zuckerberg de que o smartphone estará morto até 2030.

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Spoiler: as respostas são muito mais complexas do que os títulos sugerem.

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Ouça o episódio completo:

O júnior não morreu, mas ele precisa ser diferente

Desde que modelos de linguagem, como o ChatGPT, ganharam tração, uma narrativa começou a circular pelo mercado: as vagas para desenvolvedores iniciantes estão com os dias contados.

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Com uma IA ao lado, um profissional sênior entrega mais, mais rápido, por menos. Faz sentido na planilha, mas será que faz sentido para o ecossistema de talentos?

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Anselmo Júnior, gerente executivo do Venturus, trouxe um dado relevante: a própria Anthropic, em estudo recente, aponta o desenvolvimento de software como uma das áreas com maior potencial de impacto pela IA. Mas o mesmo estudo revela que ainda existe um gap enorme entre o potencial teórico e o uso real da tecnologia no dia a dia das equipes.

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"Os júniors que conhecemos hoje, certamente serão substituídos — mas os júniors do futuro, não. O diferencial será saber usar a IA como aliado, não como ameaça." — Rajev Rajan, CTO da Atlassian, citado por Anselmo Júnior

A provocação é elegante: e se os profissionais mais jovens, nativos digitais por natureza, forem exatamente os mais bem posicionados para absorver e potencializar o uso de IA? Ao contrário de muitos sêniors que carregam vícios de processo e resistência à mudança, a nova geração pode encarar a IA como extensão natural do seu fluxo de trabalho.

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O que o mercado está fazendo, na prática:

  1. Várias empresas anunciam corte de vagas júnior em favor de times menores e mais seniorizados com IA
  1. IBM vai na direção oposta: aposta forte na contratação de profissionais iniciantes
  1. Líderes de RH alertam: sem júniors, quem serão os sêniors e gestores de amanhã?
  1. O CTO da Atlassian defende que o júnior do futuro é aquele que domina IA — não o que dispensa

 

Andressa Greggio, do time de Pessoas & Cultura do Venturus, trouxe a dimensão que mais costuma ficar de fora da conversa: a ética.  

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Saber usar uma ferramenta é diferente de saber tomar decisões conscientes com ela. Júniors podem ter letramento digital avançado, mas experiência de mercado, maturidade relacional e senso crítico ético levam tempo para se construir.

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Lívia Dias, gerente de Produto, expandiu o ponto: e se a própria IA pudesse ser usada para acelerar essa curva? Agentes orientadores que guiam profissionais iniciantes em tarefas como discovery de produto, escrita de user stories e descrição de requisitos poderiam reduzir o tempo de rampeamento e transformar a IA em mentora, não em substituta.

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2030: Zuckerberg quer matar o smartphone — e não está brincando

O segundo bloco do episódio migra para o horizonte de 2030 — um ano que virou quase um meme no universo tech, carregado de previsões sobre computação quântica, IA geral e o fim de paradigmas que pareciam imutáveis. Mas a afirmação de Mark Zuckerberg merece atenção especial: para o CEO da Meta, o smartphone não é o futuro — os wearables são.

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Óculos com IA, relógios inteligentes, pins vestíveis, um ecossistema de hardware proprietário que não depende de Apple nem de Google. Parece ficção científica? Os Ray-Ban Meta já esgotaram estoques nos EUA antes de chegar à Europa. A demanda existe.

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"Das grandes empresas de tecnologia, a Meta é a única que ainda não tem um hardware para chamar de seu. Isso explica muito sobre a direção que o Zuckerberg está tomando." — Anselmo Júnior

Lívia Dias identificou a jogada estratégica por trás do movimento: ao fechar um ecossistema próprio de hardware, a Meta deixa de depender de terceiros para coletar os dados que alimentam sua IA. É uma manobra de soberania de dados — e quem controla o hardware, controla o que é coletado.

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A OpenAI também já sinalizou movimento nessa direção, com o desenvolvimento de seus próprios wearables. O objetivo é o mesmo: dado. Informação. Vantagem competitiva gerada a partir do comportamento real dos usuários no mundo físico.

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As tensões que esse movimento levanta:

  1. Privacidade e vigilância constante: tudo monitorado, o tempo todo
  1. Segregação social: wearables não são baratos — e não pretendem ser
  1. Transumanismo na prática: a fusão entre capacidade humana e tecnologia já começou?
  1. Quem se beneficia dos dados coletados — e como?

Foi Andressa quem trouxe o ângulo mais filosófico: a discussão sobre wearables ressoa com o conceito de transumanismo, presente na ficção científica cyberpunk há décadas. A ideia de fundir capacidade humana com alta tecnologia para expandir o potencial da vida. Ainda estamos longe do extremo distópico — mas os primeiros passos já foram dados.

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E ela deixou uma frase que resume bem a dualidade que estamos vivendo:

"Você vai ter tudo monitorado — que bom. Mas você vai ter tudo monitorado — e aí?" — Andressa Greggio

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