Os impactos tecnológicos da pandemia no agronegócio

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Em tempos caóticos como os que estamos vivendo atualmente, com os impactos causados à sociedade devido ao Novo Coronavírus, o papel do agricultor ganha ainda maior relevância, para garantir que não faltem alimentos na mesa dos brasileiros e por ser a cara de um setor que tem sido a locomotiva da economia brasileira. O resultado é que, em um ano caótico como este, enquanto as previsões indicam que o PIB do País deve desmoronar, o do agro tem expectativa de crescimento de 2,5%.

Em termos de produção agrícola propriamente dita, a pandemia parece não ter afetado em cheio o trabalho no campo. Isto porque a atividade agrícola, na sua essência, não gera grande aglomeração de pessoas nem ocupa locais densamente povoados. A atividade agrícola em si é, às vezes, bastante solitária (já que ocorre, geralmente, em locais afastados). Devido a estas características, mesmo em meio ao caos do COVID-19, o setor agrícola brasileiro continua a se sobressair economicamente.

Entretanto, nem todas as culturas e operações do agro saíram ilesas do impacto econômico causado pela pandemia. Muitos produtores, principalmente os pequenos, tiveram problemas na comercialização de produtos. Setores como o de floricultura sentiram o impacto da queda de vendas e produtores de leite tiveram problemas com a falta de compradores, por exemplo.

Com isso, muitos setores tiveram que se adaptar aos novos tempos e a adoção de tecnologias, em muitos casos, foi acelerada e tende a se manter, mesmo com a volta dos tempos sem pandemia. O próprio setor de floricultura, que sofreu no início da crise, já dá sinais de recuperação, com adaptações para o uso da tecnologia de leilões virtuais e comércio eletrônico de flores, conectando-se diretamente aos seus consumidores finais.

Segundo um estudo realizado pela secretaria de agricultura de São Paulo, a pandemia fez com que a sanidade animal e vegetal ganhassem maiores proporções, exigindo maior controle, monitoramento e fiscalização desses padrões de qualidade, pois é um tema cada vez mais exigido pela demanda externa e interna. O rastreamento e a certificação dos produtos agropecuários devem ser intensificados, assim como o uso de tecnologias digitais como Blockchain, em que marcadores seguros garantem  a origem e trajeto dos produtos  do campo até o consumidor final..

Assim como em outros setores da economia, nos quais muitas pessoas que não estavam inseridas no cenário digital — professores, alunos, escolas, pessoas que apenas estavam habituadas em comprar em lojas físicas, entre outros — forçosamente passaram a utilizar a tecnologia, no agronegócio, muitas atividades que pareciam estar longe de uso da tecnologia digital em massa passaram a habitar este cenário.

Essa mudança será sentida no agronegócio mesmo após o final da crise, com a presença de novas tecnologias e inovação em todo o setor agrícola. O cenário estabelecido pela pandemia acelerou ou até mesmo forçou setores do agro que não haviam se inserido na área digital a fazer parte da transformação digital do agronegócio.

Além da aceleração do uso da tecnologia no agronegócio, mudanças de hábitos dos consumidores — pedidos por sistema delivery; muitas famílias voltaram a cozinhar em casa, demandando produtos mais frescos e saudáveis; feira na porta de casa entre outros comportamentos —, devido à pandemia, devem alavancar ainda mais o uso das mais diversas tecnologias no agronegócio.

Tecnologias de agricultura de precisão, IoT (Internet das Coisas), sensores entre outras tecnologias que já vêm sendo destaque na digitalização do campo, antes mesmo da pandemia, não são o foco deste texto, embora estejam no cerne da revolução tecnológica do campo. Este texto visa descrever as diversas tecnologias que provavelmente terão o seu impacto acelerado no agronegócio como resposta aos efeitos causados pela pandemia.

 

As tecnologias que a pandemia deve alavancar no Agro

E-commerce

O comércio de insumos agrícolas, tradicionalmente, considera que a relação com os produtores agrícolas deva ser mais próxima, no olho-a-olho, via vendedores físicos ou distribuidores regionais. Iniciativas de comércio online (e-commerce) de produtos agrícolas ainda não têm, no campo, a mesma força que os grandes magazines de lojas online já representam em relação à população. Entretanto, com a atual pandemia, em muitos casos, o comércio online de produtos se tornou uma nova e atraente alternativa. Assim como na cidade, muitos consumidores que ainda não tinham o hábito de realizar compras online passam a conviver com esta situação no dia-a-dia.

Acredita-se que a pandemia pode ter acelerado um processo de vendas online de insumos agrícolas. Da mesma forma que o comércio online como um todo foi impactado extremamente positivamente em detrimento às lojas físicas, a pandemia pode ter dado um impulso forte na adoção de compras online no agro. O agricultor, ao utilizar o e-commerce, passa a ter acesso imediato a cotação de preços e à possibilidade de verificar condições e preços de produtos concorrentes.

Além disso, empresas vendedoras podem utilizar da Inteligência Artificial — área de estudo que busca desenvolver softwares que reproduzem habilidades humanas como reconhecimento de voz e imagem, produção de conteúdo e solução de problemas, no caso do agronegócio, identificando padrões de consumo do consumidor de insumos agrícolas — para compreender qual é o momento mais adequados para oferecer os produtos que negocia.

Com a ciência de dados, conhecimento que caminha lado a lado com a iInteligência aArtificial, é possível desenvolver sistemas que consigam captar, por exemplo, o momento em que um agricultor realizará a compra de uma máquina agrícola ou  fertilizantes. Algoritmos como os que as grandes empresas de comércio online utilizam — que, quando você pesquisa algum item que deseja comprar, logo oferecem muitas ofertas equivalentes no seu navegador —, poderiam ser adaptados aos consumidores agrícolas. Conectar-se ao cliente no momento mais adequado aumenta significativamente a possibilidade de sucesso em uma negociação agrícola. Por exemplo,um vendedor poderia identificar com maior facilidade o momento em que o agricultor de soja precisa comprar sementes e, na sequência, quando comprará fertilizantes, defensivos e todos os outros insumos. Já um horticultor, diferentemente do agricultor de culturas perenes, teria compras menores de insumo, mas mais distribuídas ao longo do ano.

Na área de comércio de insumos agrícola, acertar o timing de oferta de produtos de acordo com o timing de compras do produtor é uma ferramenta extremamente valiosa. Um grande agricultor de soja faz apenas algumas compras de fertilizantes durante o ano, mas, quando fecha a compra, normalmente fecha volumes muito altos. Assim, saber identificar este momento para a empresa de insumos é muito importante.

As plataformas e servidores de e-commerce já estão disponíveis há tempos, mas a pandemia certamente empurrou muitos potenciais clientes a se familiarizarem mais com esta alternativa de serviços.

Feiras/eventos virtuais

O isolamento social causou o cancelamento de vários eventos e feiras agrícolas. Entretanto, muitas empresas preferiram não ficar de braços cruzados e criaram eventos online para os seus potenciais clientes, a fim de manter o contato com o seu público mesmo em tempos de isolamento.

Estas feiras virtuais permitem, em muitos casos, uma interação direta do visitante com o evento. A tecnologia permite que as visitas sejam moldadas de acordo com os gostos e características de cada visitante. Com criatividade, é possível criar experiências diferenciadas para cada perfil de cliente. Isso tudo baseado em tecnologia digital.

Aplicando conceitos como “gamificação” (em que o usuário ganha pontos ao atingir as diversas fases ou objetivos), é possível saber se o visitante da feira teve interesse em ver a explicação de algum fornecedor, quanto tempo observou o estande de determinada empresa e quais eventos não foram interessantes para ele. Premiações individualizadas poderiam ser concedidas quando o visitante acessasse conteúdos específicos de patrocinadores, por exemplo.

Não acredito que as feiras ou eventos físicos deixarão de acontecer quando a pandemia acabar, mas os eventos virtuais tendem a se sofisticar e permitir uma experiência diferenciada aos visitantes. E, com isso, a empresa consegue interagir e obter dados muito interessantes de cada cliente, verificando quais os interesses e foco de cada visita. Segundo dados da Coopercitrus, a versão digital da sua tradicional feira destinada aos cooperados teve um valor 30% superior de movimentação em relação à feira física do ano anterior.

O Venturus sentiu um aumento de procura de empresas desejando a implementação de eventos virtuais no agro. E, na maioria dos casos, o foco tem sido o de se criar soluções customizadas aos clientes, ou seja, soluções que tentem passar a sensação de exclusividade a cada cliente, focando nos interesses de cada um.

Rastreabilidade de produtos

O tema da rastreabilidade de produtos já está em pauta no agronegócio há algum tempo. No entanto, o que se nota com a pandemia do Novo Coronavírus é que as exigências de se saber qual a origem do produto, o caminho por ele percorrido, os tratamentos nele executados, as transações realizadas e muitas outras informações cresceram significativamente tanto nos compradores de produtos, assim como os consumidores finais.

E, dentro destas tecnologias de rastreamento e controle de transações, a tecnologia Blockchain[4] tende a ser um dos principais focos. A tecnologia Blockchain funciona como um livro de razões que permite um alto nível de proteção de dados, com registros de cada ação e transação e imutabilidade de tudo que foi registrado. Além disso, ela permite um armazenamento seguro dos dados e que estes dados fiquem distribuídos.

Um conglomerado de empresas que atuam no agronegócio brasileiro (ADM, Bunge, Cargill entre outras) está lançando um projeto que espera ser o maior projeto de uso de Blockchain no agronegócio a nível mundial. Neste caso, a pandemia também só acelerou este processo.

Algumas empresas já vêm desenvolvendo tecnologias de rastreabilidade dos produtos agrícolas com Blockchain, mas de forma isolada. A pressão internacional para a geração de mecanismos cada vez mais confiáveis e robustos, acelerada pela pandemia, certamente passa a ter um foco tecnológico de maior importância, deixando de ser uma opção a mais no monitoramento de produtos e se tornando quase uma obrigação, tamanha a demanda de informação que os consumidores mais exigentes pós-pandemia podem buscar nos produtos

Tecnologias Móveis

O isolamento gerado pela pandemia do COVID-19 trouxe um grande problema para muitos agricultores, principalmente os menores, nos aspectos que tangem à comercialização da produção. Não foram poucos os casos referentes a agricultores que tiveram grande prejuízo devido ao problema de escoamento da produção.

Em muitos casos, com o isolamento social, produtores continuavam com a sua colheita (folhas, produtos hortícolas etc), mas com o fechamento de Ceasas, feiras e outros negócios, a produção em si não era o gargalo, mas, sim, a distribuição de produtos.

Entre o pessoal do campo, o aplicativo Whatsapp é o mais utilizado e conhecido. Muitos produtores agrícolas se utilizaram da venda através de Whatsapp e ou Facebook, com entregas a domicílio.  Este tipo de comunicação ajudou muitos produtores a terem um canal de escoamento da produção e, com isso, muitos agricultores puderam notar a necessidade de canais de distribuição com menos intermediários.

Nesse contexto, uma das grandes oportunidades que a tecnologia poderia propiciar seria algo como criar uma aplicação de entrega a domicílio (como iFood ou Rappi) do campo. Produtores, quando tivessem seus produtos disponíveis, poderiam divulgar a sua produção, receber pedidos e receber infraestrutura para a realização das entregas. No outro ponto do sistema, os interessados pelos produtos agrícolas poderiam negociar tanto preço como forma de entrega.

O isolamento social vai acabar, mas meios alternativos de comercializar a produção precisam ser pensados. Nessas novas estratégias, ganham tanto o produtor como o consumidor, visto que elas podem diminuir a quantidade de intermediários no negócio, aumentando a renda do vendedor ao mesmo tempo que permite ao consumidor adquirir produtos do agro mais frescos e a preços melhores.

Conclusão

O impacto da pandemia da COVID-19 no mundo não vai ser esquecido tão cedo. Os efeitos das mudanças pós-pandemia em toda a sociedade certamente vão influenciar em vários dos comportamentos da humanidade. No meio agrícola, mesmo que a atividade econômica em si não tenha sido tão impactada, alguns dos comportamentos dos atores do cenário agrícola certamente tenderão a mudar e muitas barreiras que existem em termos de tecnologia vão ser quebradas. O uso da tecnologia e seus mecanismos de interação entre as pessoas deverão sentir o reflexo destas mudanças.

Se a tecnologia digital já vinha sofrendo uma revolução no campo anteriormente, o que se observa é que a pandemia só vai fazer acelerar o processo de digitalização do campo. Além das tecnologias de agricultura de precisão, IoT (Internet das Coisas), sensores etc — que já vêm tendo um forte impulso na agricultura (independente da pandemia) e estão sendo incorporadas ao dia-a-dia dos agricultores —, vários outros modelos de comunicação e interação entre agricultores, comércio e indústria devem ser acelerados (estes, sim, com impulso do isolamento) e, provavelmente, chegam para ficar.

O Venturus trabalha com Tecnologia e Inovação na área digital, além de acompanhar o agronegócio como uma de suas principais verticais. A empresa e seus colaboradores possuem uma vasta experiência em desenvolvimento com dispositivos móveis, elaboração de sistemas complexos de transações e atuação com ciência de dados. O mundo em pandemia e pós-pandemia necessita cada vez mais das inovações digitais também no agro, tanto dentro da porteira como fora dela.

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