Gadgets na Saúde

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Há pouco tempo atrás, li uma matéria sobre um estudante de 13 anos foi “salvo” graças a um aviso de seu relógio inteligente, feito a partir do acompanhamento da sua frequência cardíaca. O aparelho analisou os batimentos do jovem e encontrou uma medição fora do padrão e alertou o usuário que o mesmo procurasse um médico para poder avaliar este achado de forma mais precisa. A partir da avaliação do médico e de novos exames, constatou-se que o jovem tinha uma doença cardíaca.

Depois de ler esta reportagem, resolvi investigar mais e descobrir quais seriam as utilizações dos gadgets na área da saúde e como eles podem ser úteis nos dias de hoje. Um gadget nada mais é do que um aparelho portátil.

A maioria dos gadgets na área da saúde são focados em monitoramento. Ou seja, são gadgets com o propósito de fazer medições, de batimento cardíacos, por exemplo, e o acompanhamento de alguma informação.

Também existem gadgets do tipo atuadores, cujo objetivo é a execução de tarefas, como aplicar uma dosagem de insulina, por exemplo. Além disso, é comum que gadgets da área da saúde sejam do tipo vestíveis, também conhecidos como “wearables”, que são utilizados junto ao corpo.

Vale salientar aqui que os gadgets foram criados com o objetivo de auxiliar a vida das pessoas e dos profissionais da saúde, nunca substituindo uma análise médica do paciente.

Primeiramente, vou separar os tipos de gadgets da área da saúde de acordo com o seu propósito: prevenção, diagnóstico/acompanhamento e tratamento.

Gadgets de Prevenção

Os gadgets de prevenção são, em geral, aqueles que utilizamos para monitorar a nossa rotina, validando nossos comportamentos a fim de garantir nosso bem-estar e prevenir futuras enfermidades. Vou começar dando exemplo de uma experiência pessoal com este tipo de gadget.

Eu tenho um gadget que sempre me acompanha durante os exercícios físicos, medindo meu batimento cardíaco. Utilizo esse gadget desde 2007, quando entrei para o mundo das corridas. Naquela época, eu utilizava um relógio que se comunicava com uma cinta que fazia a medição dos batimentos cardíacos. Com estas informações eu sempre pude acompanhar como andava o meu treinamento, se eu estou forçando muito ou pouco durante a atividade. O mais interessante é que, o profissional que me acompanha, sempre pode planejar os meus treinos com melhor precisão, fazendo uso destas informações.

Esta tecnologia dos medidores de batimento cardíaco já evoluiu bastante ao longo dos anos, tanto que hoje não se mede batimento cardíaco somente, mas a quantidade de calorias gasta na atividade. Além disso, é possível estimar medidas do VO2 máximo (volume de oxigênio máximo) e outras variáveis e, a partir delas, auxiliar os preparadores físicos de amadores ou mesmo de profissionais do esporte.

Fora os medidores de batimento cardíaco, no grupo de gadgets de prevenção, também incluiria os contadores de passos, os controladores de ingestão de água e os medidores de ondas cerebrais. Com eles, o usuário pode acompanhar o seu ritmo de vida e treinamento. Os medidores de ondas cerebrais podem auxiliar, por exemplo, no processo de meditação.

Outros exemplos de gadgets de prevenção são dispositivos de detecção de poluição no ambiente e de remoção de germes, bactérias e vírus de superfícies. Eles utilizam tecnologia de raios UV para este propósito. Com eles, pode-se garantir uma melhor esterilidade do ambiente e, com isso, evitar a propagação de doenças.

Gadgets de Diagnósticos e Acompanhamento

Os gadgets de diagnósticos ou acompanhamento são muito úteis para que doenças possam ser diagnosticadas, assim como para o acompanhamento de pacientes que possuem algum tipo de enfermidade que precisa ser controlada.

Um exemplo clássico é o medidor de glicemia, através do qual pessoas com diabetes podem acompanhar o nível de glicose no sangue e aplicar a dosagem correta de insulina. Este tipo de medidor faz uso de agulhas para coletar parte do sangue da pessoa para a análise, porém, já existem empresas investindo em novas formas de fazer essas medições, como a avaliação de sangue através de ondas de rádio ou, então, amostras de lágrimas.

Outro tipo de gadget existente é o de detector de presença de glúten em alimentos. Esse gadget analisa uma amostra do alimento antes de ele ser ingerido e informa se há presença ou não do glúten. Apesar de hoje em dia ser obrigatório que a embalagem do alimento informe se ele contém glúten ou não, muitas vezes, a pessoa que vai ingerir algo não teve acesso aos ingredientes com os quais o alimento foi feito — nesses casos, o gadget pode ser muito útil.

Existe também o gadget de detecção de queda. Esse tipo de gadget é muito útil para os idosos. Muitas vezes, eles moram sozinhos e, durante uma queda, podem acabar se machucando de forma a não conseguirem pedir ajuda. Com a então utilização deste dispositivo, que estaria ligado a alguma central de monitoramento, o idoso poderia receber assistência rapidamente.

Um gadget muito interessante que vi em um evento de inovação no hospital Albert Einstein foi o medidor de pressão intracraniana não invasivo. Normalmente, a medição da pressão intracraniana é feita através de sensores inseridos dentro da cabeça do paciente. O gadget apresentado, desenvolvido por uma empresa brasileira, faz esta medida da pressão através da variação na deformidade da caixa craniana.

Este tipo de sensor é muito útil para pacientes com problema de má circulação de líquidos no cérebro, pois não necessita de procedimentos invasivos — que possuem maiores riscos de complicações — para o monitoramento da pressão intracraniana.

Já para as mulheres que estejam procurando engravidar, ou também evitando, já existem alguns gadgets que as auxiliam a identificar o seu momento de fertilidade. Na sua maioria, esses gadgets medem diversos fatores fisiológicos, tais como a frequência cardíaca e a temperatura corporal e, a partir dessas informações, preveem se a mulher está ou não em seu período fértil.

Um gadget muito interessante é uma camiseta que faz a medição dos ritmos cardíacos do paciente, com a utilização de sensores a ela acoplados. Com este gadget, é possível monitorar, por 24h, os ritmos do coração e, caso algo fora do padrão ocorra, o aparelho alerta o paciente.

Este gadget poderia facilitar um exame bem comum e muito incômodo, o Holter, que muitos pacientes cardíacos precisam fazer para o acompanhamento de sua doença. O exame Holter é realizado por um monitor portátil acoplado à cintura do paciente e conectado a eletrodos através de fios.

Toda essa aparelhagem pode ser bastante incômoda e necessita de cuidado do paciente para que continue funcionando corretamente. Isso não seria necessário em um gadget mais simples, em formato de camiseta, por exemplo.

Por fim, um último exemplo é o de um retinógrafo portátil, que acoplado a um smartphone, faz a coleta e a análise de imagens do olho para fins de prevenção de doenças da retina.

Gadget de tratamento

Gadgets de tratamentos são os utilizados para fins de tratar enfermidades de maneira temporária ou permanente. Em geral, estes gadgets são prescritos por um profissional especializados. Exemplos clássicos deste tipo de gadget seriam o aparelho auditivo, o marca-passo e o medidor de insulina.

Estes são três exemplos de gadgets de tratamento contínuo, sendo o primeiro para melhorar a audição de pessoas com deficiência auditiva, o segundo para garantir aa frequência correta de  frequencia de batidas do coração e o último, para manter o nível de glicose no sangue dentro de padrões aceitáveis pelo organismo.

Outro exemplo de gadget de tratamento é um dispositivo que busca proporcionar o alívio de dores musculares — como em uma torção ou estiramento, por exemplo — utilizando a emissão de ondas eletromagnéticas ou de pulsos elétricos. Após feito o diagnóstico por um médico, um profissional da área de fisioterapia auxilia o usuário a fazer o uso do dispositivo. Assim, o próprio paciente pode fazer o seu tratamento em casa com a utilização desse gadget.

Por fim, um dos gadgets que estão ficando famosos agora, na época de pandemia do COVID-19, é o medidor de SpO2 (porcentagem de saturação de oxigênio no sangue). Este gadget faz a medição dessa saturação através de sensores de luz. Ele é muito utilizado por pessoas que possuem doenças respiratórias crônicas e precisam monitorar a oxigenação do sangue.

Em decorrência de  alguns estudos que indicaram que um dos sintomas de casos mais graves de COVID-19 é a apresentação de baixas taxas de saturação de oxigênio no sangue, este gadget vem então sendo utilizado para fazer o acompanhamento do quadro dos pacientes diagnosticados pela doença. Contudo, ainda não há consenso na recomendação do uso desses gadgets para essas finalidades, considerando que a maioria dos casos, especialmente os mais leves, não apresentam esse sintoma.

Fora os gadgets que apresentei acima, ainda existem alguns gadgets que não foram feitos para o propósito da saúde, mas que podem e vem sendo utilizados para este fim. Um exemplo seria os gadgets de assistente virtual, como o Echo Dot, da Amazon, ou a Google Home Mini, da Google. Estas assistentes podem ser utilizadas para dar informações sobre doenças, para orientar pacientes ou mesmo para fazer algum tipo de acompanhamento, entre outras dezenas de aplicações possíveis.

Conclusão

A tendência é de termos cada dia mais e mais gadgets relacionados à saúde — desde a prevenção até o tratamento — e que os mesmos sejam interligados aos sistemas médicos, facilitando o acesso dos médicos às informações dos pacientes. Assim, eles auxiliam na prevenção de doenças, levantando possíveis sinais de problema.

Dessa forma, gadgets podem reduzir o custo de tratamentos, uma vez que, com mais dados, que são cada vez mais precisos, é possível auxiliar na produtividade de profissionais da saúde — com máquinas que podem acompanhar os sinais dos pacientes, a necessidade de profissionais para estas atividades mais simples diminui bastante, por exemplo.

No momento atual, com a pandemia do COVID-19, pacientes poderiam ser acompanhados remotamente através de gadgets que medissem sinais como a oxigenação no sangue e a temperatura — e esses dados poderiam ser enviados diretamente para o hospital ou médico através da internet (princípio do funcionamento de IoT ou Internet das Coisas).

Assim, os gadgets trazem novas possibilidades para a área da saúde, proporcionando maior facilidade para usuários — seja na prevenção de problemas de saúde, acompanhamento, monitoramento e diagnóstico de doenças ou mesmo tratamento de condições agudas e crônicas.

Para médicos e instituições como hospitais e laboratórios, gadgets podem ser usados para tarefas de monitoramento, aumentando a efetividade de tratamentos e facilitando o seu funcionamento diário, e prover dados importantes de pacientes.

Dessa forma, os gadgets contribuem com o o dia-a-dia de pacientes, médicos e instituições médicas, além de abrir novas possibilidades de acompanhamento, tratamento, diagnóstico e prevenção de enfermidades.

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