EW Chain, o primeiro blockchain público do setor de energia

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Na mesma semana em que foi anunciada oficialmente a Libra, a criptomoeda criada pelo Facebook para o setor financeiro em parceria com outras 27 empresas, a tecnologia de blockchain voltou também a chamar a atenção do setor de energia pelo lançamento da Energy Web Chain (EW Chain). Criada pela Energy Web Foundation (EWF), um consórcio de mais de 100 empresas, a EW Chain é a primeira solução de blockchain pública, de código aberto, voltada para o setor de energia. 

 

Blockchain é uma tecnologia que permite o registro de transações de forma distribuída nos computadores que fazem parte do sistema. As informações são armazenadas nessa infraestrutura distribuída como blocos encadeados (e daí o nome, blockchain) de modo que o registro de um novo bloco somente pode ser validado se os demais registros da cadeia estiverem intactos. Essa validação da cadeia de blocos também é feita pelos computadores que fazem parte da rede. 

 

A estrutura distribuída e segura do blockchain possibilita a migração de modelos de negócios tradicionalmente centralizados (controlados por algumas poucas instituições intermediárias) para novos arranjos de negócios descentralizados (com a participação direta dos diversos atores que atuam no setor). Assim como o Bitcoin (uma das mais conhecidas aplicações de blockchain) vem transformando o setor financeiro através da descentralização, outras soluções baseadas em blockchain podem também modificar profundamente outros setores. 

 

No setor de energia elétrica a tecnologia de blockchain tem sido vista como um dos fatores que podem acelerar ainda mais outras fortes tendências do setor, relacionadas com a descarbonização (gerada a partir da entrada de novas fontes de energia limpa e renovável, como a solar e a eólica), descentralização (promovida pela evolução da geração distribuída) e digitalização (causada pela introdução de soluções tecnológicas, como medidores inteligentes).  

 

Estudos e projetos têm sido desenvolvidos nos últimos anos explorando os benefícios do uso de blockchain em aplicações para o setor de energia. Um dos projetos mais conhecidos e referenciados é o chamado “Brooklyn Microgrid”, onde a empresa LO3 Energy criou uma plataforma baseada em blockchain que permite que a energia solar gerada por moradores de uma região comercialize o excesso de energia gerada (e não consumida por eles) diretamente com seus vizinhos, conectados ao mesmo microgrid 

 

Além de promover a geração de energia solar, o projeto do “Brooklyn Microgrid” mostra o potencial da tecnologia blockchain para criar novos modelos de negócios que podem impulsionar a inovação nessa área.  

 

A utilização de contratos inteligentes (do inglês, “smart-contracts”), aplicações distribuídas que podem ser executadas sobre a infraestrutura de uma rede blockchain, possibilita ainda a automação de processos e operações (tais como tarifação, negociação de energia ou mesmo a recarga de veículos elétricos) que podem aumentar a eficiência das empresas do setor e, em última análise, reduzir o custo da energia para o consumidor final.  

 

Outra aplicação de blockchain no setor de energia está relacionada a sua utilização para o registro da energia renovável, que atualmente é feita através de Certificados de Energia Renovável (ou REC, “Renewable Energy Certificates”). A utilização de blockchain e smart-contracts poderia tornar o registro e a rastreabilidade da energia renovável mais automatizada, reduzindo os custos associados com o processo. 

 

Existem vários casos de uso de blockchain no setor de energia, mas é claro que a tecnologia também tem sofrido várias críticas que apontam problemas que precisam ser resolvidos para sua viabilização comercial. Dois pontos negativos frequentemente mencionados são o longo tempo necessário para a validação das transações e a grande quantidade de energia gasta pela rede nesse processo de validação.  

 

Como exemplo, alguns estudos apontam que a energia gasta mundialmente para a mineração de Bitcoins tem atingido níveis preocupantes, o que, na visão de muitos, poderia inclusive representar uma ameaça para o meio ambiente. Dessa forma, surge naturalmente uma desconfiança sobre o uso de blockchain para no setor de energia, já que uma das expectativas nesse caso é que a tecnologia traga melhor eficiência energética. 

 

O EW Chain surge nesse contexto como uma solução capaz de explorar os benefícios da tecnologia de blockchain sem esbarrar nas limitações de tempo e consumo de energia apresentadas por outras soluções. A EW Chain é uma solução open-source, derivada do Ethereum (que é uma solução de blockchain pública bastante conhecida), concebida especificamente para ser utilizada no setor de energia. Ela utiliza um mecanismo de consenso do tipo Proof-of-Authority (PoA) que reduz tanto o tempo de validação de transações quanto o consumo de energia em comparação com outras soluções de blockchain. 

 

O mecanismo de consenso utilizado pelo Bitcoin e outras soluções blockchain, conhecido como Proof-of-Work (PoW), exige que haja consenso entre a maioria dos nós da rede para que uma transação seja aprovada. Embora esse mecanismo seja considerado altamente seguro e confiável, ele pode apresentar problemas de performance com relação ao número de transações por segundo (TPS), já que o tempo de validação das transações pode aumentar conforme a rede cresce, impactando também a capacidade de escalabilidade da rede. 

 

O mecanismo de PoA estabelece consenso através de um conjunto finito de entidades, ou nós de redes, que são selecionadas para executar o processo de validação por serem consideradas confiáveis. Por exemplo, o EW Coin possui em torno de 10 entidades que são autorizadas a realizar o processo de validação de transações. Essas entidades incluem concessionárias, operadoras e empresas desenvolvedoras que fazem parte do consórcio EWF. Assim, o tempo de validação das transações pode ser menor, aumentando a performance da rede e sua escalabilidade. 

O EWF teve ainda o mérito de agregar participantes de peso ao consórcio de mais de 100 empresas do setor de energia, com nomes como Shell, GE, Siemens, AES e Centrica. O apoio do consórcio pode ajudar numa possível consolidação da EW Chain como um padrão a ser adotado para soluções de blockchain do setor de energia. 

 

O código fonte do projeto está disponível no Github do grupo (https://github.com/energywebfoundation) que inclui algumas aplicações de referência como o EW Origin (uma aplicação para certificação de origem de energia renovável) e o EW Link (um conjunto de especificações e padrões para conectar dispositivos físicos ao blockchain). Segundo a EWF já existem mais de 17 aplicações distribuídas (dApps) executando em redes de teste da tecnologia que devem ser colocadas em produção nas próximas semanas. 

 

Ainda levará algum tempo para que a EW Chain (ou alguma outra solução de blockchain) amadureça e realmente se consolide como um padrão do setor energia, mas o posicionamento das empresas do grupo EWF, composto por vários players desse segmento, representa uma importante movimentação do setor de energia em direção a adoção da tecnologia de blockchain. 

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