Blockchain e suas aplicações na saúde

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No final do ano passado, 2019, fiz um curso de extensão na PUC-Campinas sobre Blockchain. Participei como total leiga no assunto. Para mim, Blockchain era a mesma coisa que bitcoin (uma moeda digital). Já na primeira aula, o professor explicou toda a base sobre Blockchain e deu alguns exemplos de possíveis aplicações para essa nova tecnologia — dentre elas, aplicações na área da saúde, o que me motivou a escrever este artigo.

O que é o Blockchain?

A grosso modo, a tecnologia Blockchain nada mais é que uma base de dados cujo armazenamento é feito de forma descentralizada. Porém, essa base é composta por um conjunto de blocos (blocks) imutáveis e ligados de forma encadeada (chain) e temporal. Um bloco pode conter tanto dados como transações. Cada bloco no Blockchain só pode ser gravado uma vez. Quando for necessário fazer uma alteração em um bloco, um novo bloco deve ser gerado e, então, ligado ao bloco anterior.

No Blockchain, todo e qualquer bloco da rede só é adicionado à rede após ser validado por outros computadores da rede. Essa validação é feita através de algoritmos de consenso, que devem ser solucionados por um determinado número de computadores. Uma vez validado o bloco, ele é assinado com um código   — uma palavra de tamanho fixo gerada a partir de uma função de mapeamento Hash aplicada às informações do bloco, como a transação do bloco, a data e horário e quais são os blocos ligados a ele.

O propósito do código Hash é garantir que os dados não possam ser alterados. Caso haja alterações nos dados do bloco, o código Hash também é modificado, não sendo mais o mesmo gerado na criação do bloco, tornando o bloco inválido. Além disso, as informações confidenciais do bloco são protegidas através de criptografia de chave assimétrica, utilizando para isso a chave pública do proprietário da informação, garantindo que ninguém, além do proprietário ou de alguém por ele autorizado, possa ter acesso às informações confidenciais do bloco.

Existem dois tipos de Blockchain: os públicos e os privados. No Blockchain público, a rede Blockchain é aberta ao público, ou seja, qualquer computador que queira poderá fazer parte da rede. Um exemplo deste tipo é o bitcoin, em que qualquer pessoa que tenha interesse pode fazer parte desta rede Blockchain, seja ela como negociador de bitcoin ou como minerador (mineradores são os computadores que se propõe a solucionar o algoritmo de consenso e, para isso, são recompensados com bitcoins).

Por outro lado, o Blockchain privado é controlado somente por uma entidade e somente usuários dentro desta rede podem manipular a mesma. Um exemplo de uso deste tipo de rede seria o controle dos processos de produção dentro de uma indústria.

Dentro do Blockchain privado, ainda poderíamos classificar mais dois tipos: o consórcio de Blockchain e o Blockchain semiprivado. No primeiro caso, a rede seria controlada por um consórcio predeterminado de empresas. Por exemplo, um conjunto de hospitais. No segundo caso, o Blockchain seria controlado por uma entidade, porém, outras entidades poderiam fazer parte da rede, caso o controlador autorizasse a sua adesão. Um exemplo seria um plano de saúde, que teria a sua Blockchain e que permitiria que médicos e pacientes acessassem a sua rede.

Blockchain na saúde

Vamos então falar das aplicações dessa tecnologia na área da saúde.

Prontuários médicos eletrônicos

Uma das principais aplicações que estão sendo estudadas com relação à utilização do Blockchain são os prontuários médicos eletrônicos (PME). Os PMEs são uma rede digital de armazenamento de informações médicas de pacientes.

Os prontuários devem ser redes de acesso fácil dentre as diversas entidades — como hospitais, clínicas, laboratórios e pacientes —, mas, por outro lado, precisam ser redes extremamente seguras e de acesso controlado, a fim de garantir a privacidade dos dados dos pacientes.

Assim, os PMEs somente devem ser acessados por pessoas autorizadas, uma vez que os registros médicos de um paciente não podem ser alterados de forma arbitrária. Qualquer tipo de alteração deve ser cuidadosamente registrado, pois qualquer tipo de informação incorreta pode gerar muitos prejuízos, tanto monetários quanto de vidas.

Algumas grandes empresas já estão investindo nessa área, como Philips, Gem Health, Google e IBM.

Gestão de medicamentos e insumos médicos

Com o Blockchain, é possível fazer a gestão de medicamentos e insumos médicos, tanto para fins de fabricação quanto para a venda, distribuição e utilização.

No caso de uso de fabricação, é possível fazer o rastreio de toda a cadeia de produção. Começando pelos insumos que serão utilizados na fabricação dos medicamentos — é possível garantia sua procedência. Depois, durante o processo de fabricação em si, pode-se garantir que todas as etapas foram executadas corretamente. Por fim, na distribuição dos medicamentos produzidos — com dados dos locais e horários do transporte.

Dentro de clínicas e hospitais, o Blockchain pode auxiliar no rastreio de todos os insumos disponíveis no estabelecimento médico; controlar o prazo de validade dos medicamentos; as quantidades de medicamentos disponíveis em estoque; qual profissional prescreveu um dado medicamento ou solicitou algum tipo de insumo; qual profissional utilizou o insumo ou aplicou um dado medicamento; e, também, qual paciente recebeu a medicação.

No mesmo sentido explicado acima, a tecnologia pode ser aplicada em farmácias. Algumas empresas já apresentam algumas soluções, como Chronicled, Blockpharma e Tierion.

Planos de saúde

Com a utilização de Blockchain nos planos de saúde, o principal objetivo é evitar fraudes no sistema como um todo. Por exemplo, um paciente vai ao médico e tem seu registro de consulta armazenado. Caso o médico solicite exames, os mesmos serão inseridos na rede. Uma vez feito o exame, seu resultado também deve ser inserido na rede e, por fim, os medicamentos solicitados pelo médico também vão estar na rede. O plano de saúde pode, assim, acompanhar, com segurança, todas as etapas e, com a utilização do blockchain, seria praticamente impossível que médicos, clínicas e pacientes possam burlar passos durante o processo como um todo.

Conclusão

A área da saúde, por ser uma área muito delicada, precisa de um sistema com transparência de seus dados de alta confiabilidade. O Blockchain, com seu sistema de imutabilidade, descentralização e de transparência das informações, se encaixa perfeitamente na solução deste problema.

A tecnologia Blockchain ainda é muito nova. Muitos ajustes burocráticos precisam ser feitos para alinhar todos os interessados, mas, num futuro bem próximo, acredito que já estaremos utilizando essa tecnologia em maior escala.

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