A tecnologia aplicada ao retorno das atividades durante a pandemia

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No ano de 2020, o assunto mais comentado é a COVID-19. Segundo o site do Ministério da Saúde: “[COVID-19] é uma doença causada pelo Coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves”. Ela é uma síndrome gripal, que, diferente das demais com que já estamos acostumados, tem um potencial alto de disseminação e mortalidade. É uma doença transmitida facilmente pelo contato, direto ou indireto, com o fluido ou secreção de uma pessoa infectada.

Infelizmente, ainda não temos vacinas para o COVID-19, mas existem algumas medidas que podem ser tomadas para evitar que uma pessoa contaminada transmita a doença a outras. Como a contaminação é feita através do contato com fluido/secreção de uma pessoa infectada, as formas mais fáceis de contaminação são: estar a menos de um metro de distância de uma pessoa contaminada — pois, ao falar, espirrar ou tossir, a pessoa acaba expelindo gotículas de fluídos ou secreções que podem atingir outras pessoas — ou tocar em algum objeto ou superfície que uma pessoa contaminada possa ter infectado. Os objetos são infectados também através das gotículas de fluido da pessoa contaminada. A gotícula é mais pesada que o ar e acaba “caindo” em superfícies e objetos que estejam próximo ao local que a pessoa contaminada espirrou ou tossiu.

Consequentemente, as formas de evitar a contaminação são: evitar locais com muitas pessoas circulando; evitar ficar muito próximo de pessoas sem máscara; evitar contato com objetos de uso coletivo; e garantir sempre a higiene das mãos (para evitar que a mão contaminada entre em contato com os olhos, nariz e boca).

Logo no início da pandemia, a conduta adotada para evitar a disseminação da doença foi o fechamento das cidades, para reduzir a circulação de pessoas nas ruas (salvo os casos essenciais, como mercados, farmácia e hospitais). Mais tarde, as cidades definiram um conjunto de diretrizes para retomar as atividades no ambiente de trabalho, seguindo as orientações definidas pela portaria do Governo Federal.

Na cidade onde moro, Campinas, seguimos as diretrizes definidas pelo Plano São Paulo. O Plano São Paulo definiu que a retomada das atividades econômicas será feita em quatro fases (vermelha, laranja, amarela e verde). Cada uma destas fases dita quais tipos de atividades podem ser retomadas e quais cuidados devem ser tomados — por exemplo, na fase amarela, foi permitida a reabertura de restaurantes com ocupação e horário reduzidos, em locais ao ar livre ou bem arejados.

As fases são definidas de acordo com os indicadores dos critérios da capacidade do sistema de saúde: “média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivos para pacientes com coronavírus, número de novas internações no mesmo período e o número de óbitos”.

De acordo com os valores dos indicadores atuais, Campinas encontra-se na fase amarela. Nesta fase, alguns serviços já puderam ter as suas atividades retomadas, porém, deve-se seguir algumas regras para que haja a retomada segura das atividades garantindo que os indicadores, no mínimo, se mantenham nos mesmos patamares.

As regras são definidas de acordo com o tipo da atividade, se ela é essencial à vida das pessoas — como atividades do setor de alimentos, medicação e transporte — ou não — como atividades de entretenimento. Porém, algumas das restrições são aplicadas a todas as atividades, como: garantir a distância mínima de um metro entre as pessoas; restrição da quantidade de pessoas em um mesmo local; a obrigatoriedade de uso de máscaras; e restrição do acesso de pessoas com algum sintoma da doença, como febre, por exemplo.

Para aplicar e garantir todas estas regras, a utilização da tecnologia pode ser de grande valia. Por isso, listamos alguns dos exemplos de uso de tecnologias para diminuir o contágio na retomada de atividades. Além de garantir o cumprimento das regras, tecnologias ainda podem gerar muitas outras informações que podem ser muito úteis nas análises da saúde coletiva dos colaboradores das instituições e nas demais pessoas que circular por elas.

Home office

Uma das primeiras atitudes de muitas empresas durante essa pandemia foi a de começar a aderir ao full home office (trabalho remoto em tempo integral), pois ele permite evitar o contato entre pessoas e facilita o isolamento de todos os seus colaboradores. Provavelmente, muitas dessas organizações devem manter esse sistema após o fim da pandemia, uma vez que ele está sendo muito bem recebido, tanto por parte dos colaboradores como por parte das empresas.

No entanto, nesse estilo de trabalho, algo que será complicado é saber efetivamente onde estão os funcionários todos os dias, se estão em casa ou no escritório. Portanto, algumas empresas poderão adotar um sistema de check-in online, no qual o colaborador poderá dizer, logo ao iniciar a sua jornada de trabalho, onde ela será executada durante aquele dia, podendo incluir também os momentos de ausência, como horário de almoço, viagens ou férias. Esta ideia também poderia já estar integrada ao sistema de ponto da empresa, facilitando o controle das horas trabalhadas.

Sistema de autonotificação

Para identificar colaboradores com suspeitas ou sintomas da COVID-19, pode ser utilizado um sistema integrado, em uma plataforma web ou móvel, no qual os colaboradores podem fazer uma autonotificação de um caso suspeito. Este sistema pode ser integrado automaticamente a um sistema de atendimento médico, que é notificado sobre o caso por meio de algum meio digital, como e-mail, mensagem de Whatsapp ou mesmo mensagem de texto.

Através deste tipo de sistema, a empresa pode controlar melhor quais funcionários estão com a doença e, caso eles tenham contato com outros, averiguar outros prováveis casos que possam surgir e, a partir daí, tomar as devidas ações para evitar o espalhamento da doença dentro do ambiente da empresa.

A médio prazo, estas informações podem ser utilizadas para avaliar se as medidas tomadas foram efetivas e até relacionar isso ao desempenho da empresa no mesmo período, dentre outras análises que a empresa achar pertinente. Porém um ponto que precisaria ser bem definido é o acesso aos dados do usuário, que deve seguir a nova Lei Geral de Proteção aos Dados (LGPD).

Um exemplo de como esse rastreio das pessoas que possam ter tido contato com uma pessoa infectada é o aplicativo TraceTogether, desenvolvido por uma empresa de Singapura. Este aplicativo utiliza a tecnologia Bluetooth para poder verificar com quais pessoas (que possuem o mesmo aplicativo instalado) ele cruzou e a qual a distância.

Uma outra iniciativa com os mesmos objetivos foi a plataforma Check-In, desenvolvida pela empresa Pwc. Nessa plataforma, por exemplo, é possível identificar o risco de contágio de demais colaboradores a partir do momento em que há o relato de que algum colaborador está contaminado, utilizando a tecnologia geofencing.

Geofencing utiliza sistemas de GPS ou sensores de RFID (Radio-Frequency IDentification ou Identificação por Radiofrequência) para fazer a localização de uma pessoa dentro de um ambiente, aberto ou fechado. Através da análise das movimentações da pessoa contaminada, é possível identificar quais colaboradores tiveram contato ou proximidade com ela e correm risco de desenvolver a doença. A partir dessa identificação, é feita a notificação, afastamento e acompanhamento desses profissionais.

Sistema eletrônico de reserva de mesa

Em ambientes de escritório, onde será necessário manter as pessoas mais afastadas fisicamente (garantindo o mínimo de distância de 1 metro), muitas empresas estão repensando seus layouts e até mesmo seu modo de funcionamento em função disto. Talvez muitas delas não tenham espaço suficiente para todos os seus funcionários, uma vez que a posição das mesas deve exigir uma área maior para comportar o mesmo número de pessoas. Mesmo no caso de empresas que mantenham um sistema de home office pós pandemia, não faria sentido o funcionário ter um lugar exclusivo, uma vez que somente iria ao escritório esporadicamente.

Por isso, muitas organizações vêm optando por sistemas de trabalho compartilhado, nos quais o colaborador não tem mais uma estação de trabalho fixa e compartilha as várias mesas disponíveis com seus colegas. No entanto, para que isso funcione corretamente, será necessário um sistema de agendamento eletrônico, no qual o colaborador pode, antes de se dirigir ao escritório, já selecionar um local disponível para poder trabalhar naquele dia, evitando, assim, que não haja uma mesa disponível ao chegar à empresa.

Sistema de controle de acesso

Além dos atuais sistemas controle de acesso às dependências das empresas, como por exemplo crachá, impressão digital ou reconhecimento de face, muitas empresas terão que garantir que o colaborador esteja utilizando a máscara (ou o protetor de rosto) assim como assegurar que a sua temperatura corporal esteja normal.

Pensando neste controle conjunto, uma solução seria utilizar um sistema integrado no qual a inteligência artificial e o processamento de imagens são utilizados para garantir a saúde dos colaboradores que se encontram na empresa, sem a necessidade de outra pessoa para colher essas informações pessoalmente — e, potencialmente, correr o risco de ser contaminada.

Esses tipos de soluções possuem equipamentos que capturam imagens do colaborador que pede acesso ao local — em portas, catracas ou estações de verificação —, verificando sua identidade e o uso de máscara. Os mesmos equipamentos possuem sensores infravermelhos que verificam a temperatura corporal do colaborador. A partir de todas essas informações, o sistema permite ou nega acesso a espaços específicos e, se estiver conectado a sistemas de notificação ou sistemas médicos, ainda é possível encaminhar casos suspeitos para que tenham os cuidados devidos.

Controle da qualidade do ar

Alguns estudos sugerem que em um ambiente onde a qualidade do ar é ruim, as partículas contaminadas de vírus podem permanecer no ar por mais tempo, aumentando as chances de contaminação. Devido a isto, muitas empresas estão utilizando soluções de purificação e filtragem do ar dentro de seus espaços.

Nessas soluções, sensores fazem a avaliação da qualidade do ar e, com base nestas informações, sistemas de inteligência artificial acionam um sistema de filtragem e purificação do ar, garantindo um ar de melhor qualidade aos colaboradores na empresa.

Concluindo, citamos alguns exemplos de como a tecnologia vem sendo empregada para garantir uma retomada das atividades de uma forma mais segura. O uso e combinação de soluções como as apresentadas permite o retorno de algumas atividades, especialmente o trabalho presencial em empresas, escritórios e laboratórios. Ainda assim, no decorrer dessa retomada, novas demandas surgirão e o emprego de tecnologia será muito bem-vinda para ajudar a atender a essas necessidades.

No entanto, até que haja uma vacina eficaz, é importante que todos nós tenhamos consciência de que, mesmo havendo várias formas de controlar a disseminação da doença, temos que fazer a nossa parte e garantir sempre a higiene das nossas mãos, evitar espirrar, tossir ou falar sem o uso de máscara e evitar aglomerações.

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